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Sobre subidas e descidas de Montanhas. |
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Não se trata de uma montanha em particular mas todas elas, imensas e grandiosas. Um nome próprio, um estado de espírito, algo grande cuja a dimensão tento alcançar com palavras. A Montanha sempre exerceu um fascínio sobre os homens, nela os antigos instalaram a morada dos seus deuses alguns, ainda hoje, personagens de histórias e dramas teatrais seculares outros, ainda vivos nos gelo eterno do Himalaia. Os pastores, sherpas, andarilhos de todos os tempos percorreram suas alturas e conheceram seus segredos. Deram-lhes nomes imponentes e respeitosos tais como: Olimpo, Mont Blanc, Kilimanjaro, Annapurna e Daulaghiri. Quem sabe o que passava nos corações e mentes de nossos índios quando eles se referiam aos nossos: Itacolomi, Itabira, Itabirito e Itatiaia ?
Foi somente no século dezenove que inventaram o alpinismo
como esporte, algo que se faz pelo prazer de fazê-lo. Ele foi
assim chamado por ter aparecido nos Alpes. Os ingleses que, curiosamente,
não têm montanhas no fundo de casa, tiveram um papel
importante nisso. Escalar montanhas e chegar ao cume pelo prazer de
tê-lo feito, pela maravilha de conseguir uma conquista grandiosa,
alcançar a morada dos deuses. E os cumes foram sendo alcançados
um a um com a ajuda dos guias locais, conhecedores dos segredos das
altitudes. E o esporte evoluiu. Não bastava chegar ao cume,
mas era preciso fazê-lo pela via mais difícil. Vencer
o precipício, paredes vertiginosas, passagens ditas impossíveis.
Estas qualidades davam um tom insuperável aos desafios o esporte.
Entrou o século XX e a grandiosidade da Montanha entusiasmou
governos e nações. Alcançar o topo do mundo tornou-se
um objetivo nacional. Por trás do sucesso dos franceses no Annapurna e dos ingleses no Everest estavam seus respectivos governos.
O esporte das montanhas como atividade desinteressada foi perdendo
terreno mas manteve-se ainda através dos milhares de praticantes
anônimos. Por trás de tudo, o espírito de aventura.
O mesmo que levou Whymper ao cume do Matterhorn, Lionel Terray ao
Fitz Roy e Sílvio Joaquim Mendes ao cume do Itabira e do Pico
Maior de Friburgo.
O mesmo não se pode dizer das ditas "descidas vertiginosas", grampeações de cinqüenta em cinqüenta metros desvinculadas de qualquer via de escalada. Uma corda presa pode ser fatal, pois não existe a via de subida. Suponhamos uma dupla de escaladores descendo em uma dessas vias, grampeada para duas cordas de 50 m. Lá pela terceira enfiada eles puxam a corda. O paredão é vertical e puxados alguns metros, o próprio peso da corda faz o serviço e ela vem sozinha, cada vez mais depressa, até que a extremidade aproxima-se do grampo à toda velocidade e o impulso a faz girar em torno do grampo, que foi batido deixando uma fresta de cinco ou seis milímetros entre o olhal e a rocha. Pronto! Prendeu-se a ponta da corda e não há força ou sacudida que a faça sair. Os dois escaladores tem agora um nó nas mãos, uma corda livre e outra presa. A corda que sobrou não dá para descer as últimas três enfiadas. Eles poderão, no máximo, descer somente uma e parar a cem metros da base, esperando socorro se este não demorar muito tempo.
Resta agora uma pergunta.
Quanto tempo agüenta um montanhista pendurado em uma cadeirinha
numa desconfortável parada de uma via expressa no Pico Maior de
Friburgo numa tarde de julho? Uma solução seria assumir o risco máximo
de subir em prussik os cinqüenta metros fatídicos, rezando para que a
corda não resolva soltar-se no meio ou quase no fim da tarefa ... Existem inúmeros cursos de escalada onde é possível orientar os novos montanhistas sobre a história do montanhismo e seu sentido maior de ética e respeito à natureza, aos feitos dos companheiros que nos precederam. Mas esta não é uma discussão que envolve apenas os novos. Muitos montanhistas antigos são adeptos destes 'novos tempos'. Na Montanha descobrimos nossos limites, o fundamental é aprender a respeitá-los. |
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Jean Pierre von der Weid |
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