A múmia da chaminé Gallotti.

Dois anos após a inauguração do Clube Excursionista Petropolitano - CEP foi finalizada a quarta via para o topo do Pão-de-Açúcar: a chaminé Gallotti, aberta no lado oposto do Totem, próxima a chaminé Stop.

 

Desenhada num intrincado sistema de fendas, formado por uma sucessão de platôs, chaminés estreitas, entalamentos de corpo e oposições de todo tipo, a Gallotti foi conquistada utilizando-se troncos, cabos de aço, cerca de 80 grampos P, além de contar com a participação de 20 escaladores.

 

Iniciada em 1948, esta conquista sofreu diversas interrupções, levando seis anos para ser concluída. A história desta longa via contou com um episódio insólito e sinistro. Em setembro de 1949, durante a conquista do segundo lance, foi encontrado um cadáver entalado pelo pescoço numa fenda. O escalador que guiava aquele lance ainda deu segurança de uma árvore próxima para que seu participante chegasse até ele. Os dois resolveram descer e chamar a Polícia, que retirou o corpo do local. O corpo do homem, que nunca foi identificado, ficou conhecido como a Múmia da Gallotti.

 

 

Nos anos 60, os cabos de aço da Gallotti começaram a ser removidos. A presença de fendas em boa parte da via era um convite irresistível para a escalada em livre. Sem os cabos, alguns lances de maior dificuldade técnica eram vencidos com apoios artificiais. Estas mudanças deixaram a via com uma aparência mais moderna.

 

A longa conquista da Gallotti foi levada a cabo por Antônio de Oliveira, Ricardo Menescal, Laércio Martins, Patrick White e Tadeusz Hollup, todos pertencentes ao Clube Excursionista Carioca - CEC.

Guia de Escaladas da Urca.

Fotos: Ivan Calou.