Ética - pontos de destaque.

 

Para melhor conduzir e ordenar o processo evolutivo da escalada, temos mantidos discussões constantes sobre a ética. Dentro desta discussão os pontos de destaque são:

a) a busca do mínimo impacto ambiental, seja na abertura, como na repetições de vias;
b) o respeito ao direito autoral das vias.

Neste contexto a FEMERJ desencoraja e desaconselha veementemente a colocação de de proteções fixas (grampos ou chapeletas) próximos ou em fendas. Uma vez que estas podem ser protegidas de maneira segura com os diferentes tipos de equipamento móvel existentes. E, principalmente, por seguir um dos principais pontos da ética local que é o mínimo impacto ambiental, ou seja, reduzir ao estritamente essencial (numa combinação de segurança e estilo) as marcas da sua passagem sobre a rocha.

Por outro lado, a Federação enxerga no direito autoral de abertura das vias uma das bases de sustentação da ética da escalada, e um dos pontos cruciais para a convivência entre os diferentes pensamentos na comunidade de escaladores. Assim, como forma de conciliar estes pontos, a FEMERJ vem estimulando os autores de vias com fendas grampeadas que autorizem a remoção destes grampos, ou que eles mesmo os removam. Após conversa com vários autores, acreditamos que a presença de grampos nas fendas destas vias foram justificadas na época da abertura, pela escassez de equipamentos móveis. Este fato já é contornável nos dias atuais. Abaixo estão relacionados os principais pontos que sustentam a diretriz da FEMERJ neste sentido:

1. Os equipamentos móveis são facilmente encontrados nas lojas de equipamentos;
2. A evolução da tecnologia aumentou tanto a segurança, como as alternativas de utilização destes equipamentos, em diferentes tipos de fendas;
3. O uso do equipamento móvel permite ao escalador adaptar o grau de proteção ao nível de exposição que deseja assumir (aumentando ou reduzindo o número de peças), sempre considerando as características da fenda. Inclusive, podendo realizar a passagem em artificial;
4. Permite, por vezes, um maior controle sobre as proteções. O escalador sabe das condições das proteções que coloca, ficando menos expostos à grampos podres ou batidos inadequadamente;
5. Assim como os cabos de aço foram removidos das vias, a troca dos grampos por proteção móvel, segue a tendência histórica de uma escalada mais limpa. Dentro da ética do mínimo impacto ambiental ou da escalada limpa, as proteções fixas devem ficar restritas às situações onde estes são a única alternativa de proteção;
6. Dentre o total de vias existentes, há um número relativamente baixo de vias que podem ser protegidas com material móvel. Por exemplo, na Urca menos de 13%  das vias permitem a proteção com material móvel. Ao proteger uma fenda com grampo, além de reduzimos ainda mais estas vias,
conferimos à elas um caráter mais comum. Estaríamos retirando delas sua peculiar característica, que a torna mais destacada, mais interessante e valorizada;
7. A existência de um maior número de vias para serem protegidas com equipamento móvel, permitiria que os escaladores locais, atuais e futuros, desenvolvam melhor técnica para este tipo de necessidade. Pois, de uma maneira geral, o fato de existir poucas vias com fendas faz com que o conhecimento das técnicas de proteção em móvel fique limitada. Isto carece quando nossos escaladores vão conhecer outros locais de escalada, onde as vias com fendas são comuns e a proteção é invariavelmente feita com equipamento móvel, como ocorre nos centros de escalada de quase todos os países.

Aos montanhistas que tiverem interesse em limpar vias com fendas grampeadas, onde é possível a colocação segura de proteções móveis, a FEMERJ recomenda:

a) escalar a via em móvel;
b) fazer um croqui mostrando como ficaria a via sem as proteções fixas;
c) indicar qual a proteção móvel utilizada;
d) apresentar ao(s) autor(es) o projeto de modificação, obtendo a aprovação, por escrito, do(s) mesmo(s);
e) apresentar à federação local o projeto para registro e arquivamento na croquiteca;
f) implantar o projeto com data marcada para a divida divulgação.

 

FEMERJ