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Eliseu Frechou, o homem das montanhas. |
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Como
começou a paixão pelo alpinismo? Quando eu tinha 15 anos fui ver uma demonstração de escalada no Pico do Jaraguá, em São Paulo, e daí em diante não parei mais de ir à montanha.
Como
aconteceu a sua mudança para São Bento do Sapucaí?
Há quantos anos? Estou em São Bento há 12 anos. Em 89 achei que já era tempo de mudar de São Paulo, cidade em que fui criado e vivia até então, e partir para um estilo de vida mais saudável que tivesse espaço para o montanhismo. A escolha por São Bento do Sapucaí se deu primeiro pela situação geográfica, bem debaixo da Pedra do Baú e cercada de outras falésias e montanhas ainda por explorar, e segundo por ser uma cidade que ao mesmo tempo é pequena, mas oferece boas condições de infra-estrutura.
Sobre
a idéia de montar a escola Montanhismus, como ela foi recebida
na cidade? Acho que ainda hoje muita gente não entende o que eu faço.
Você
forma mais de 100 escaladores por ano. Depois do curso eles têm
capacidade para escalar que tipo de rocha? Após o curso básico a pessoa está apta para escalar rotas grampeadas. A dificuldade vai depender de sua força de vontade e disposição para treinar.
Como
são os treinamentos? Os cursos básicos duram um final de semana, no qual a aluno é bombardeado de informação e fica na pedra praticamente os dois dias inteiros. Depois é só se dedicar.
Como
são as pessoas que chegam até você querendo aprender
escalada? A maioria são pessoas que querem melhorar sua qualidade de vida fazendo um esporte ligado à natureza. Nos últimos anos tenho notado um significante aumento no número de mulheres interessadas no curso.
E
você o que anda escalando ultimamente? Sabemos da sua conquista
do El Capitan, na Califórnia. Teve alguma outra que te marcou?
Tenho escalado pelo menos duas vezes por semana aqui nas falésias perto de casa, sempre conquistando e procurando escalar mais forte. Após a escalada do El Capitan, pela "Plastic Surgery Disaster", que é a big wall mais difícil da montanha, tenho me dedicado mais à escalada livre.
Foi uma escalada muito dura, tanto física quanto psicologicamente. Big Wall é uma engenharia muito complexa, com dezenas de detalhes em que um erro pode ser fatal. Como se já não bastasse a dificuldade em si, uma galera local ainda se incumbiu de ficar nos atazanando, dizendo que poderíamos morrer na escalada de nível A5. A escalada da "Plastic Surgery Disaster" durou 8 dias, sendo os 3 primeiros fixando cordas até a quinta enfiada, e os 5 restante em estilo cápsula, pernoitando em portaledges (camas rede).
Você
não tem vontade de fazer grandiosas expedições
em busca de picos desafiadores pelo mundo? Sim, claro! Todavia isso requer investimentos em patrocínio que grandes empresas brasileiras ainda não estão preparadas para fazer. Tenho uma grande preocupação com a ética, com os meus companheiros, com o que vai ser passado para o público. Não estou disposto a um vale tudo por dinheiro, que é o que se vê por aí.
Qual
o seu maior desafio? Conciliar família e trabalho de uma maneira equilibrada.
Como
você divide seu tempo entre os treinamentos, a escola, o jornal,
vídeos e agora a Revista Headwall? É complicado, mas chamei toda a responsabilidade e agora tenho que dar conta (risos). Digamos que como em São Bento do Sapucaí não existem congestionamentos, tenho mais tempo para cuidar de tudo e ainda ir dormir cedo. Outra coisa que ajuda é que tenho pessoas competentes envolvidas nestes projetos.
Quem
são os idealizadores da revista? O Filippo Croso e eu. Mas eu gostaria - e é necessário - que toda a comunidade excursionista abraçasse este projeto, pois somente assim ele irá vingar. Quero acreditar que somos apenas as pessoas que assumiram a responsabilidade de imprimir a verdadeira revista de montanha brasileira.
O
que você espera do alpinismo como esporte no Brasil? A geografia do Brasil garante a prosperidade do esporte em nosso país, basta que cuidemos de nossas montanhas.
O
Rio de Janeiro é um centro outdoor da prática de escalada.
Como você acha que o esporte poderia se popularizar mais? Paredes
de escaladas são vistas em festas e eventos, na TV. Qualquer
pessoa pode subir aquelas paredes, se entusiasmar e seguir direto
para a rocha natural... É um risco para iniciantes? Sim, um grande risco! Até mesmo a escalada indoor pode ser fatal caso não se tomem todas as medidas de segurança. A escalada em rocha é um esporte de aventura que tem seu risco relativamente controlado por uma série de técnicas aprendidas em cursos no qual o aluno é conduzido por um instrutor experiente até se tornar auto-suficiente. Deixar de fazer um curso de escalada é como aprender a dirigir na via Dutra.
Qual
a melhor maneira de começar neste esporte? Procurar instrução com um guia capacitado ou em uma escola reconhecida. |
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Montanhista. |
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