Resultado do Censo 98 de Praticantes de Montanhismo e Escalada Indoor.

 

A maioria dos praticantes aparece na faixa entre 18 e 25 anos, com cerca de 46,6% do total.

A distribuição por sexo é bastante desproporcional. Apenas 10% dos participantes são do sexo feminino. Na realidade este número é maior, mas ainda pequeno em relação aos praticantes masculinos.

Os estados do Rio de Janeiro e Paraná, os centros mais tradicionais da prática da escalada e montanhismo no Brasil, aparecem em segundo e quinto lugar, respectivamente. Além disso, nota-se que a maior parte esta concentrada nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Dezenove estados marcaram sua presença, sendo São Paulo o mais representativo, e Amazônia, Pará e Rondônia os menos, com apenas uma participação cada.

A grande maioria dos participantes do Censo possui grau elevado de escolaridade. 69% das pessoas pesquisadas estão cursando ou já cursaram graduação ou pós-graduação. Este dado levanta uma questão curiosa: devido ao alto grau de escolaridade, essas pessoas deveriam ser bem conscientizadas e esclarecidas em relação à prática e conceitos ligados a escalada e montanhismo. Na prática, os resultados da pesquisa apontam o oposto.

Apesar do surgimento de alguns informativos especializados, ainda temos uma dependência muito grande das publicações internacionais quando necessitamos de informações técnicas mais aprofundadas. Este resultado mostra que a grande maioria dos pesquisados têm condições de ler e entender outras línguas e, por isso, pode ter acesso às publicações internacionais e a informações técnicas mais ricas.

Como era de se esperar, as modalidades que mostraram maior crescimento e maior número de praticantes foram a esportiva indoor, esportiva em rocha, provavelmente devido a facilidade de acesso, por serem de baixo risco e por serem modalidades de baixo custo para a prática em relação à outras modalidades.

Em geral, a maioria pratica com freqüência média, de duas a oito vezes ao mês, em relação as modalidades mais acessíveis, e até uma vez ao mês nas atividades menos acessíveis. Outro fato relevante que pode ser observado, obtido através desses resultados, é a baixa taxa de evasão em todas as modalidades. Uma minoria pouco representativa indicou que não pratica mais cada uma das modalidades. Em tese, poucos deixaram de praticar escalada e as curvas de crescimento podem ser consideradas reais.

A falta de regulamentação do ensino de escalada é um dos fatores mais preocupantes em relação ao desenvolvimento desta atividade em nosso país. Os resultados dessa pesquisa mostram claramente que a maioria dos escaladores teve seu aprendizado através de amigos, sem estar conscientemente preocupada com a qualidade do ensino. A falta de uma referência de qualidade é um fator que permite a propagação desse tipo de situação. É muito comum de se ver pessoas com menos de dois anos de experiência assumindo por conta própria o papel de instrutores, mesmo não tendo as mínimas condições para isso. E esse ensino informal tem gerado uma série de distorções sensíveis na prática escalada, principalmente no que se refere as questões de segurança pessoal e atitude. Como conseqüência, os casos de acidentes são cada vez mais freqüentes e os danos causados às áreas de escalada são cada vez mais visíveis e definitivos. Essa situação piora na medida em que os conceitos errados são propagados em cascata, de instrutor a novo instrutor, como se fosse uma brincadeira de telefone sem fio. Além disso, se somarmos os dados de crescimento explosivo a esse quadro, as previsões são péssimas. Neste ritmo, não há a menor condição de crescimento sustentado para a prática da escalada, pois a propagação de conceitos equivocados aumentará na mesma proporção que aumenta o número de praticantes. A solução para este problema não é outra senão a regulamentação do ensino e a busca de um consenso sobre a prática adequada da escalada no Brasil, levando em conta as peculiaridades dessa atividade em nosso país. A única forma de garantir um ensino de qualidade é a criação de certificados graduados e critérios exigentes de avaliação para instrutores, a exemplo do que acontece em outros esportes de risco, como o mergulho ou o pára-quedismo. E isso só será alcançado através da mobilização de clubes e entidades de classe, que, em alguns casos, como o Inter Clubes, do Rio de Janeiro, e do Clube Alpino Paulista, tem mostrado alguns movimentos isolados. Com a regulamentação haverá uma referência de qualidade para separar o joio do trigo e isso servirá para acabar, senão com todo, com grande parte do ensino informal. Está mais do que na hora de uma mobilização em conjunto ! Os dados falam por si, 58,5% dos escaladores aprenderam a escalar com amigos ou instrutores particulares, que, salvo raras exceções, oferecem ensino sem a menor garantia de qualidade. O capacete é um equipamento básico de segurança, que é fundamental na maioria das modalidades de escalada, e que deveria ser obrigatoriamente utilizado em cursos de escalada. Este resultado serve como indicador da qualidade do ensino que temos atualmente. Quase 70% dos praticantes não foram instruídos a utilizar o capacete durante seu aprendizado, um dado alarmante.

Em sua opinião, os grampos de rocha, os tradicionais Ps, em relação as chapeletas importadas são ? Esta pergunta levanta uma questão muito importante, que é a da conscientização da necessidade de uso de equipamentos certificados. Neste caso tomamos um exemplo muito comum para nós, que é a comparação de grampos caseiros com chapeletas importadas, que são todas certificadas por organismos internacionais de normatização. Sabemos que o uso de grampos de rocha caseiros são uma tradição no Brasil, por falta de informação e custos (grampos importados são mais caros). Porém são equipamentos de segurança que não seguem o menor critério de garantia de qualidade em sua produção e que não oferecem segurança (testes realizados este ano mostraram que grampos caseiros de várias procedência se rompem sob força muito abaixo dos padrões internacionais). Novamente os dados surpreendem: quase 70% acreditam que grampos caseiros são mais seguros ou tão seguros quanto chapeletas homologadas, ou não saberiam responder. Aqui procuramos enfocar uma questão técnica muito simples. Se o papel da corda de escalada é evitar que um escalador se machuque durante uma queda então a característica mais importante de uma corda é a sua força de impacto. Quanto mais baixa, maior a capacidade de absorver o impacto de uma queda e assim diminuir a possibilidade de danos ao escalador. A maioria das respostas apontou o número de quedas UIAA como fator mais importante, quando este dá principalmente uma relação de durabilidade da corda. Ele também é um fator de segurança, mas menos importante que a força de impacto. Qualquer fabricante diz isso.

 

Brasil Outdoor Ltda.