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1º A5 brasileiro. |
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No ano passado foi conquistada na Pedra do Baú – SP
a "Paletó de Madeira" - o primeira A5 brasileiro ! Os autores foram: Bruno, Pateta, Sundara e Wendel.
Conseguimos entrevistar Wendel Goulart e Arjuna Sundara,
as frases abaixo tentam relatar um pouco do que aconteceu
naqueles dias de medo e euforia, é bom lembrar que caso seja
confirmado o grau da via ela será:
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1º A5 Brasileiro.
Entrevista com Wendel.
Eduardo:
E aí Wendel, como foi dar segurança em uma via em que a base poderia
"estourar" caso o guia caísse? Wendel: Eu fiquei mais preocupado com o Sundra apesar de perceber a possibilidade de voar fora do platô de apenas 60cm por 60cm, alem disso a base era uma árvore seca.
Eduardo:
Quantos metros da base até a primeira chapa o Sundra guiou? Wendel: Ele guiou 20 m em livre (6c) e bateu a primeira chapa. Ele não queria bater mas estava ameaçando chover.Depois disso ele guiou mais 35 m em clif de agarras podres e minúsculas até bater as proteções da nova base. O lance foi insano !
Eduardo:
Qual foi o lance mais sinistro? Wendel: Houve um momento, nos primeiros 20 m em livre, que o Sundra quebrou uma agarra e ele ficou pendurado só com a mão direita. Fiquei imaginando ele caindo, "explodindo" a base e nós dois voando 140 m para baixo.
Eduardo:
Pouco tem se falado sobre o primeiro A5 Brasileiro, porque? Wendel: Na minha opinião é porque somos escaladores sem patrocínio e espaço na mídia, mas acredito que após esta via as portas irão se abrir.
Eduardo:
Como foi a enfiada que você guiou? Wendel: Foi a quinta e última enfiada, após a enfiada do Pateta (A4+). A responsabilidade seria minha e eu sabia que teria que estar à altura dos meus companheiros e mandar uma enfiada proporcional a deles. Só fiquei sabendo que seria em livre quando cheguei na base que fica abaixo de um teto. Foram 44 m em livre com o crux acima de um teto. Só consegui bater uma chapa 9 m depois que eu coloquei um Friend.
Eduardo:
É verdade que o Sundra mandou os 35 m do artificial com as
sapatilhas nos pés? Wendel: Sim, parece até engraçado, mas a ansiedade era tanta que ele não se lembrou desse detalhe.
Wendel: A galera de São Bento (João, Tiago, Sundra e a Paulinha), ao Bruno e o Pateta (que me orientaram, já que eu não tinha experiência em grandes paredes), ao Eliseu e a Beth Frechou (pela força) e a Sonia (da By). Não posso esquecer de você Eduardo pela força de colocar nossa abertura no site Notopo e pela amizade que você sempre demonstrou por nós.
Eduardo:
E aí Sundra conte a sua estória. Sundra: Bom, a via continua no anonimato e só existe hoje pelo convite que o Bruno me fez. Quando chegamos no platô eu fiquei de mandar a primeira enfiada que eu imaginava ser toda em livre, fui subindo e vi que a pedra era muito podre, fiz 20 m e bati uma chapa, pois estava começando a chover, daí em diante a parede muda e fica sem proteção, só com clif de agarra.
Eduardo:
Como foi manter o psicológico alto? Sundra: Nunca passei tanto estresse e prazer juntos, devo isso aos amigos que ficaram embaixo dando a maior força. Esticar 35 m em cliff de agarra com a possibilidade de morte foi foda !
Eduardo:
Eu me lembro de uma via sua ainda inacabada, mas já com duas
enfiadas conquistadas no Bauzinho que só tem as bases. Você
está se especializando em vias mortais? Sundra: É verdade, a via se chama Corpo Fechado, é um 6c só com as bases, não existem proteções nas enfiadas, na verdade a escalada tem mais significado para mim do que apenas força de movimento. É uma filosofia de vida onde procuro meu limite e tento aprender alguma coisa com isso.
Eduardo: Caso seja
confirmado o grau da via (A5) como fica a sua cabeça? Sundra: Eu me sinto mais pauleira do que o Super Homen ! Brincadeira. Na verdade tudo que eu faço na escalada é de coração.
Eduardo:
E os agradecimentos? Sundra: Ao Wendel, Bruno e ao Pateta (pelo momento que eu nunca vou esquecer), ao Eliseu e a Beth (pelo apoio e amizade), a Sonia (da By) e a você pela amizade e pelo site que está dando essa oportunidade para nós. Valeu ! |
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