7 Cumes Brasileiros.

 

14/09/2004
 

Satélite muda altura de ponto culminante do Brasil.

A Pedra da Mina (2.798,4 metros), em Minas Gerais, tirou o título de ponto mais alto da serra da Mantiqueira (na fronteira de Minas, Rio e São Paulo) do Pico das Agulhas Negras (2.791,6 metros), no Rio de Janeiro. O tira-teima geográfico foi possível graças à atualização das altitudes feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pelo IME (Instituto Militar de Engenharia).

A nova medição confirmou que o Pico da Neblina (no Amazonas) continua sendo o ponto mais alto do território brasileiro, mas ele é 20,3 metros mais baixo do que se imaginava. Em vez de ter 3.014,1 metros, verificou-se que tem 2.993,8 metros.

Via satélite.

A revisão das altitudes dos maiores picos brasileiros foi feita com métodos mais precisos e modernos. Os valores antigos haviam sido determinados na década de 1960 com um barômetro, instrumento originalmente destinado à medição da pressão atmosférica, que permite estimar a altitude de pontos geográficos.

O novo cálculo foi feito utilizando o GPS - Sistema de Posicionamento Global, que, com a ajuda de satélites, indica as coordenadas geográficas de um determinado ponto. Para fazer o cálculo preciso da altitude, foi preciso escalar as montanhas com um receptor.

Além dos picos da Neblina, das Agulhas Negras e da Pedra da Mina, o IBGE e o IME revisaram também a altitude do pico 31 de Março, no Estado do Amazonas. Ele é, aproximadamente, 20 metros mais baixo do que se imaginava, tendo 2.972,7 metros, em vez de 2.992,4 metros.

Entre os quatro picos revisados até agora, o da Pedra da Mina foi o que teve o maior valor alterado para cima, "ganhando" por causa da medição mais precisa 28,4 metros ao passar de 2.770,0 metros para 2.798,4 metros. O Pico das Agulhas Negras "ganhou" quatro metros, passando de 2.787,0 metros para 2.791,6 metros.

O Projeto Pontos Culminantes ainda irá medir a altura precisa de dois outros picos: o da Bandeira e do Cristal, ambos na divisa dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Antes da revisão dos quatro picos, o da Bandeira (2.889,8 metros) era o terceiro maior e o do Cristal (2.780,0 metros) era o quinto.

"O que mudou foi apenas a metodologia. A antiga era a correta para a época (1960), mas hoje já há um método mais moderno", explica Nilo César Coelho da Silva, coordenador de Geodésia do IBGE.

Silva diz que a definição de valores mais precisos ajuda a orientar melhor o vôo de aeronaves que voam a uma altitude próxima desses picos. "Não estamos falando de "boeings", que voam muito mais alto, mas a definição mais precisa da altura é fundamental para orientar a navegação de aviões de médio e pequeno porte", afirma.
 

As novas altitudes:


1° Pico da Neblina - 2.994 m - Serra do Imerí - AM

2° Pico 31 de Março - 2.973 m - Serra do Imerí - AM

3° Pico da Bandeira - 2.890 m - Serra do Caparaó - MG

4° Pedra da Mina - 2.798 m - Serra da Mantiqueira - MG

5° Pico das Agulhas Negras - 2.792 m - Serra da Mantiqueira - RJ

6° Pico do Cristal - 2.780 m - Serra do Caparaó - MG

7° Monte Roraima - 2.739 m - Serra de Pacaraíma - RR

 

Folha de S.Paulo