Tudo errado!

 

"A falta de regulamentação do ensino de escalada é um dos fatores mais preocupantes em relação ao desenvolvimento desta atividade em nosso país. É muito comum vermos pessoas com menos de dois anos de experiência assumindo, por conta própria, o papel de instrutores não tendo as mínimas condições para isso. Esse ensino informal tem gerado uma série de distorções sensíveis na prática escalada, principalmente no que se refere às questões de segurança pessoal e atitude na montanha. Como conseqüência, os casos de acidentes são cada vez mais freqüentes e os danos causados às áreas de escalada são cada vez mais visíveis e definitivos".

 

Essa situação piora na medida em que os conceitos errados são propagados em cascata, de instrutor a instrutor, como se fosse uma brincadeira de telefone sem fio. Além disso, se somarmos os dados de crescimento explosivo a esse quadro, as previsões são péssimas. Neste ritmo, não há a menor condição de crescimento sustentado para a prática da escalada, pois a propagação de conceitos equivocados aumentará na mesma proporção que aumenta o número de praticantes.


Os dados falam por si, 58,5% dos escaladores aprenderam a escalar com amigos ou instrutores particulares, que, salvo raras exceções, oferecem ensino sem a menor garantia de qualidade. O capacete é um equipamento básico de segurança, fundamental na maioria das modalidades de escalada, e que deveria ser obrigatoriamente utilizado em cursos de escalada para a proteção dos alunos. Este resultado serve como indicador da qualidade do ensino que temos atualmente. Quase 70% dos praticantes não foram instruídos a utilizar o capacete durante seu aprendizado - um dado alarmante." CENSO 98


Veja o exemplo abaixo:

 

Via Ronco do bugio - Pico da Canastra - Canela - RS.

 

- Escaladores sem capacete (basalto úmido, quebradiço e possibilidade de quedas de 10m). Possuíam somente 1 mosquetão com trava e nenhuma fita ou cordelete.

- Escalavam com 2 pedaços de corda estática (uma de 20 e outra de 30m).
- Montaram o que denominaram "ponto de reunião" em 1 grampo P com 15 anos de uso, oxidado, instalado 2 cm para fora da parede e com um olhal de 8 mm.
- Instalaram o freio 8 (que deveria estar conectado a cintura) no mesmo grampo provocando um efeito alavanca com outro mosquetão já instalado (todos sem trava).
- O "guia", já sem condições físicas e calçando tênis de futebol de salão, partia para mais uma enfiada de corda - agora 5a.

 

Radical não?

 

Como guia resolvi interferir. Após fotografá-los e retirá-los da roubada, solicitei que os "escaladores" voltassem para as suas casa e revisassem os seus conceitos. Eles ouviram a dica e nós ficamos agradecidos!

 

Orlei Jr.

Montanhista