Orientações para instalação de proteções fixas

em vias de escalada.

Objetivo dessa orientação:

 

Prover orientações e estabelecer procedimentos padronizados e necessários à colocação de proteções fixas em vias de escalada em rocha.

 

Âmbito de aplicação dessa orientação:

 

Vias de uma enfiada de corda (escalada esportiva em campos escola).

 

Definições:

 

- Entende-se por campos-escola, as áreas de escalada, principalmente de escalada esportiva, assistidas e sob manutenção de uma associação ou grupo de escaladores.
- Entende-se por proteções fixas as chapeletas, grampos ou correntes instaladas no meio ou no fim das enfiadas de corda.

 

 

Observações:

  1. Toda a proteção instalada deverá evitar o choque do escalador com o solo a partir de qualquer ponto da via, independente do grau ou se ela foi conquistada de corda de cima ou a partir do solo.

  2. Preferencialmente, os primeiros pontos de proteção devem permitir que sejam mosquetonados do solo. Não existe uma metragem padrão para todas as vias porém, como exemplo, podemos citar a 1ª proteção a pouco mais de 2 metros, a 2ª a aproximadamente 3 metros do solo e a 3ª a cerca de 4,5 metros do solo.

  3. Em vias de escalada esportiva, ou sobre elas, deve-se retirar qualquer bloco de pedra ou lâmina de rocha que possa causar perigo ao escalador.

  4. Toda via deve ser equipada somente com chapeletas confiáveis, preferencialmente aprovadas pela UIAA ou, em último caso, com grampos de no mínimo 12mm de diâmetro fixados com colas químicas (Sicadur Nº 31 ou Lokset MP da Fosroc). A utilização de grampos em vias com mais de 90º de inclinação (negativas) ou em tetos não é recomendada.

  5. As proteções fixas devem ser colocadas sempre objetivando uma linha reta a fim de evitar atrito excessivo na corda. Deve-se evitar que a corda seja conduzida sobre quinas ou arestas afiadas que possam danificá-las.

  6. Deve-se procurar instalar as proteções fixas próximas a agarras que permitam o mosquetonamento seguro.

  7. Deve-se colocar as proteções fixas distantes, no mínimo 40cm, de bordas, tetos ou fendas.

  8. As proteções fixas devem ser colocadas, preferencialmente, eqüidistantes entre elas, sendo que essa distância não deve ultrapassar 4 metros.

  9. As reuniões ou finais de enfiadas devem ser equipadas com pelo menos duas proteções fixas, preferencialmente unidas por corrente composta por elos de, no mínimo, 6mm de espessura.

 

Orientações para a instalação:

 

  1. Escolher uma superfície, preferencialmente, plana.

  2. Verificar a solidez da rocha golpeando a mesma com uma marreta ou martelo. Atentar para o som gerado pelas batidas o qual deve ser agudo e não grave.

  3. Perfurar a rocha, utilizando broca manual ou furadeira, em ângulo perpendicular (90º) à rocha segundo os seguintes parâmetros:
    3.1. Arenito - profundidade mínima do furo 10cm.
    3.2. Basalto, granito, conglomerado ou calcário - profundidade mínima do furo 7cm.
    3.3. Paredes negativas ou tetos de qualquer rocha - utilizar somente chumbadores - profundidade
          mínima do furo 7cm.

  4. As chapeletas devem ser de marcas confiáveis e, preferencialmente, aprovadas pela UIAA. Deve-se evitar a utilização de chapeletas caseiras.

  5. Os chumbadores devem apresentar parafusos centrais de bitola de 10mm (3/8 polegadas) e comprimento segundo os parâmetros descritos no ítem 3. A utilização de "spits" não é recomendada.

  6. Os grampos devem ser colocados com 15º de inclinação em relação à parede, com os olhais para cima, encaixados em canaletas feitas na rocha que impeçam a rotação do mesmo. Estas proteções fixas devem ser colocadas somente em paredes com ângulo de até 90º (positivas), a menos que sejam colocados com cola química (Sicadur Nº 31 ou Lokset MP).

  7. Os furos devem ser feitos utilizando brocas de bitola igual aos chumbadores ou grampos. Apenas deve-se fazer furos de aproximadamente 1mm maior que a bitola de chumbadores com "jaquetas" externas ou pinos e grampos (2mm) conjugados com colas químicas. Tais pinos ou grampos só poderão ser submetidos a esforço após 24 horas de secagem das colas químicas.

  8. Deve-se retirar todo pó resultante da perfuração da rocha antes de introduzir o chumbador ou grampo utilizando, para este fim, um soprador (cano plástico de 6 a 8mm).

  9. Depois de finalizado o furo e retirado o pó, deve-se martelar os chumbadores para dentro do orifício sem que haja excessiva pressão entre tais proteções e as paredes do furo. Ao contrário, os grampos devem ser martelados sob pressão, a menos que sejam utilizados em conjunto com colas químicas.

  10. Os chumbadores devem ser parafusados até que as chapelatas estejam completamente fixadas. Evitar pressões demasiadamente excessivas ao apertar a rosca dos chumbadores.

  11. As paradas e reuniões no final de enfiadas devem conter no mínimo duas proteções fixas interligadas, preferencialmente, por corrente com elos de no mínimo 6mm de espessura.

 

Referências bibliográficas:

 

- PACI, Paolo. Curso de Escalada Deportiva. Editorial de Vecchi, S.A. Barcelona, 1992.
- LONG, John. Climbing Anchors. Chockstone Press. Falcon Publishing Inc. Helena, 1993.
- LONG, John. Clip and Go. Chockstone Press, Colorado, 1994.
- BENGE, M. Rock Tools and Technique. Climbing Magazine. Elk Montain Press, Colorado, 1995.
- LONG, John. Anclajes de Escalada - colocación y utilización. Ediciones Desnivel, Madrid, 1996.
- Revista Escalar Nº11, Abril/Maio de 1999.
- Revista Escalar Nº 12, Junho/Julho de 1999.
- Revista Escalar Nº16, Fevereiro/Março de 2000.

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